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O Giro d'Italia (em português, Volta à Itália ou Volta da Itália), ou simplesmente Giro, é uma corrida de longa distância para ciclistas profissionais. A corrida tem a duração de três semanas e é realizada na Itália durante o mês de maio, podendo avançar até o início de junho.

O Giro d'Italia é considerada a segunda mais importante competição por etapas do ciclismo mundial, atrás apenas do Tour de France.

O Giro, Tour de France e a Vuelta a España compõem as três grandes voltas ciclísticas.

A corrida desenvolve-se em etapas por trechos de planície, favoráveis aos sprinters, e em etapas mais duras em trechos de montanha, que junto com as duas etapas cronometradas decidem a volta.

HistóriaEditar

As montanhas dos heróisEditar

Desde 1965, o Giro define uma montanha para ser denominada de "Cima Coppi" (Cume Coppi). No primeiro ano, foi o Stelvio, chegada da 20a etapa, vencida por Graziano Battistini, que cruzou a linha de meta empurrando a bicicleta depois que uma avalanche de neve tornou intransitáveis os 300 últimos metros.

O Stelvio foi por muitos anos sinônimo de "Cima Coppi", mas a idéia é que esse nome corresponda a montanha mais elevada de cada ediçao. Em 2008, a "Cima Coppi" será a Passo di Gavia, na 20a etapa, com 2.618 metros.

Gino Bartali também é homenageado durante o Giro. Para que a sua história, marcada por títulos e pelas disputas acirradas com Fausto Coppi, continue a ser lembrada, todo ano o Giro dedica a Bartali uma etapa corrida na Toscana, regiao do campeao. Em 2008, será a 9a (Civitavecchi - San Vincenzo).Outro herói italiano, Marco Pantani, morto em 2004, também recebe uma homenagem desse tipo. Este ano, a homenagem será no Passo del Mortirolo, na 20a etapa, a mesma do "Cima Coppi", onde o ciclista conquistou uma das mais belas vitórias de sua carreira.

A camisa rosa e os outros símbolosEditar

Maglia Rosa

A camisa mais importante do Giro leva a cor das páginas do jornal que o criou. A "maglia rosa" nasceu em 1931 para distinguir o líder da classificaçao geral. O primeiro a vesti-la foi Learco Guerra, no fim da primeira etapa do 19o Giro d'Italia, disputada entre Milao e Mântua.

Maglia Verde

O Grande Premio da Montanha foi criado em 1933, mas apenas em 1974 o líder desta classificaçao começou a receber uma camisa específica, de cor verde. Nos últimos anos, os latino-americanos tem dominado essa especialidade, com os colombianos José Jaime González e Fredy González Martínez, o mexicano Julio Pérez Cuapio e o venezuelano José Rujano. O vencedor da camisa verde em 2007 foi o italiano Leonardo Piepoli. O maior vencedor desse premio é Gino Bartali, sete vezes.

Maglia Ciclamino

A classificaçao por pontos foi criada em 1966. Entre 1967 e 1969, seu líder vestia uma camisa vermelha que, a partir de 1970, ganhou a cor magenta. Esse premio define o melhor sprinter da competiçao, conquistado por ciclistas como Eddy Merckx, Roger de Vlaeminck, Francesco Moser, Giuseppe Saronni, Mario Cipollini, Laurent Jalabert e Alessandro Petacchi. O italiano Alessandro Petacchi conquistou a camisa magenta no ano passado.

Maglia Bianca

Tradicional no Tour de France, a maglia bianca foi introduzida no programa do Giro em 1976 e vencida pelo italiano Alfio Vandi. Depois de 1994, ela ficou de fora da competiçao italiana, mas voltou em 2007 e foi levada pelo luxemburgues Andy Schleck.

Os primórdiosEditar

No dia 13 de maio de 1909, foi dada a largada do primeiro Giro, em Milao. Eram apenas oito etapas, cobrindo uma distância total de 2.448 km. Dos 127 concorrentes, apenas 49 chegaram ao fim. A caravana era composta por oito automóveis: quatro para as equipes, dois para a organizaçao e os comissários, dois para os jornalistas. Antes da largada os corredores foram fotografados um a um para que nao ficasse nenhuma dúvida quanto as suas identidades.

Ciclistas importantes foram convidados para a primeira ediçao, como os franceses André Potier, apelidado de "Frou Frou", vencedor do Tour de France de 1906, e Louis Trousselier, ganhador da prova francesa em 1905. Outro frances, Lucien Petit-Breton também largou, mas foi forçado a abandonar após uma queda durante a primeira etapa, Milao-Bolonha. A premiaçao total era interessante: 25.000 liras.

Luigi Ganna, o primeiro vencedor, recebeu 5.325 liras, enquanto o último colocado levou 300 liras. Como comparaçao, o salário mensal de Armando Cougnet, diretor do Giro era de 120 liras. Costamagna, diretor da "Gazzetta dello Sport", ganhava 150 liras.

A disputa idealEditar

A fórmula do primeiro Giro atribuía pontos com base no resultado de cada etapa. O tempo nao importava. Pelas regras atuais, em que vale o tempo para estabelecer a classificaçao, Giovanni Rossignoli seria o campeao com 23min34s de vantagem sobre Carlo Galetti, enquanto o vencedor efetivo, Luigi Ganna, seria apenas o terceiro. Em 1912 uma nova fórmula foi experimentada, a da classificaçao por equipes (16 equipes de quatro corredores tomam a partida, em um total de 64 atletas), mas sem o sucesso esperado.

A classificaçao por tempo foi adotada a partir de 1914. A primeira ediçao por tempo aconteceu em clima tenso, pois a Primeira Guerra Mundial estava prestes a eclodir. Marcado por muitos erros no percurso, o Giro daquele ano foi completado por apenas oito dos 81 participantes. Tres ciclistas, entre eles o futuro vencedor, Alfonso Calzolari, foram surpreendidos apoiando-se em um automóvel e foram punidos em 3h30min. Entre 1915 e 1918, a guerra impediu a realizaçao da competiçao.

Um giro para dois ciclistasEditar

Em 1922, o Giro foi disputado com um dia de corrida, sucedido por um dia de descanso. Com isso, a confusao começou logo na primeira etapa, disputada entre Milao e Pádua, quando Giovanni Brunero, no Pian delle Fugazze, foi flagrado trocando a roda de forma irregular.

As equipes pediram a exclusao do atleta, mas o júri, após deliberaçao, satisfez-se com uma penalidade de 25 minutos. Os times Maino e Bianchi abandonaram a prova em protesto e os únicos adversários de Brunero passaram a ser os corredores da equipe Legnano; na realidade, apenas Bartolomeo Aymo, que terminou em segundo lugar.

Dois anos depois, as grandes equipes fizeram greve e nao participaram da 12a ediçao da prova. Em resposta, a "Gazzetta dello Sport" abriu inscriçoes para corredores avulsos. Aproveitando essa brecha no regulamento, o pelotao de 1924 recebeu uma mulher em suas filas, Alfonsina Strada, uma camponesa da regiao de Milao. Ela logo ficou para trás e estourou o tempo limite depois de diversas quedas e outros problemas. Competiu até a oitava etapa, em Perugia, quando os organizadores a impediram de prosseguir.

Mesmo fora da competiçao, ela chegou a Milao sob os aplausos do público. Giuseppe Enrici foi o vencedor.

O primeiro fenômenoEditar

O italiano Afredo Binda (1902-1986), que em 1925 tinha o apelido de "O Antipático" por sua frieza e determinaçao, mostrou, dois anos depois, toda a sua força ao vencer nada menos do que 12 etapas (foi o recordista de vitórias de etapa no Giro, com 41 triunfos, até ser superado por Mario Cipollini, em 2003), chegando a Milao com 27 minutos de vantagem. Em uma das chegadas, em Nápoles, Binda cruzou em primeiro, correu em direçao a banda de música e começou a soprar freneticamente um trompete, mostrando que ainda tinha fôlego.

A ediçao 1930 fez muito barulho. Depois de ter vencido facilmente em 1925, 1927, 1928 e 1929, Binda foi convidado a ficar em casa, pois sua superioridade esmagadora esfriava a disputa. Para nao correr, recebeu a soma atribuída ao vencedor: 22.500 liras.

Enquanto seus adversários pedalavam nas estradas do Giro, Binda percorria a Europa disputando provas de pista e critériums, embolsando aproximadamente a mesma soma. Tricampeao mundial (1927, 1930 e 1932), ele conquistou o Giro novamente em 1933, quando foi organizada pela primeira vez uma etapa de contra-relógio individual, disputada entre Bolonha e Ferrara, em um percurso de 62 km.

Coppi X BartaliEditar

Em 1935, um jovem de 21 anos começou a chamar a atençao ao terminar o Giro na sétima colocaçao, vencendo o premio da montanha: Gino Bartali (1914-2000). Na ediçao de 1936 foi organizada pela primeira vez uma cronoescalada, entre Rieti e o Terminillo.

Em 1937, novo triunfo de Bartali. Em 1940, o vencedor foi um ciclista do time de Bartali, Fausto Coppi (1919-1960). Nascia uma das grandes rivalidades do ciclismo mundial. Adiada durante alguns anos em funçao da Segunda Guerra Mundial, a "briga" entre os dois explodiu em 1946. Coppi e Bartali tinham personalidades muito diferentes. Enquanto o primeiro foi acusado de adultério ao abandonar a esposa e uma filha para viver com outra mulher, o outro, católico fervoroso, nunca competia antes de visitar uma Igreja.

Primeiro estrangeiro a vencerEditar

Em 1950, no auge dessa rivalidade, os italianos assistiram pela primeira vez um corredor estrangeiro levar o título: o suíço Hugo Koblet. Seu estilo encantava o público feminino dentro e fora das corridas, pois gostava de estar sempre impecavelmente penteado.

Inferno na neveEditar

Em toda a história da competiçao, uma etapa é relatada como realmente infernal: a de Merano-Monte Bondone.

Em 1956, uma tempestade de neve tornou a subida impossível para muitos corredores. O luxemburgues Charly Gaul venceu a etapa com a ajuda astuciosa de Learco Guerra, seu diretor esportivo, que encharcou-o com baldes de água quente para evitar que o frio o paralisasse na subida. Gaul chegou sozinho no topo, com vários minutos de vantagem sobre os adversários, entre eles Fiorenzo Magni.

Para surpresa geral, Gaul ganhou o Giro, enquanto Magni foi o segundo. Pasquale Fornara - que vestia a camisa rosa na etapa - estava tao debilitado que seu diretor esportivo, Giumanini, retirou-o da disputa por nao querer ver sofrer o atleta, que tratava como filho.

Gimondi X MerckxEditar

Felice Gimondi, um dos maiores ciclistas italianos de todos os tempos, faturou a ediçao de 1967. Muitos especialistas acreditavam que ele reinaria por muitos anos nao fosse o surgimento de outro fenômeno: Eddy Merckx. Naquele mesmo ano, o belga, apelidado de "O Canibal" venceu uma etapa, mas foi impedido de completar a prova por causa de uma bronquite.

No ano seguinte começou a Era Merckx, que obteve a primeira de suas cinco vitórias. Na disputa pelo bi, em 1969, o maior ciclista de todos os tempos, levou tres etapas, mas foi suspenso por doping. Gimondi ficou com o título. Um ano mais tarde, Merckx venceu e Gimondi foi o segundo. Ausente em 1971, permitiu que Gosta Petterson conquistasse a única vitória de um sueco no Giro. De volta, Eddy Merckx conquistou as tres ediçoes seguintes.

Após a vitória de outro italiano, Fausto Bertoglio (1975), Gimondi, aos 34 anos, retornou ao ponto mais alto do pódio da grande Volta italiana pela última vez, em 1976. Nas montanhas, dominava o espanhol José Manuel Fuente, melhor escalador entre 1971 e 1974.

Década de 90Editar

No começo da década de 90, o Giro d'Italia conheceu o talento do espanhol Miguel Induráin, que venceu a competiçao em dois anos consecutivos (1992 e 1993). Foram também os anos de esplendor de Marco Pantani. Grande escalador, o italiano venceu a ediçao de 1998 e levou o premio de montanha.

CamisasEditar

O líder da classificação geral veste a maglia rosa (camiseta/camisola rosa), cuja cor é devida à cor de impressão do jornal (Gazzetta dello Sport) que organizava e é o principal patrocinador da prova.

O líder da classificação geral jovem veste a maglia bianca (camiseta branca)

O melhor escalador veste a maglia verde (camiseta/camisola verde), enquanto que o primeiro na classificação por pontos veste a maglia ciclamino (camiseta de cor púrpura).

A maglia azzurra (camiseta azul) é vestida pelo lider do intergiro, gran combinata um tipo de classificação especial desta prova.

O último colocado da classificação geral usa a maglia nera (camiseta negra).

  • Jersey pink.svg Maglia rosa (classificação geral)
  • Jersey violet.svg Maglia ciclamino (classificação por pontos)
  • Jersey green.svg Maglia verde (montanha)
  • Jersey white.svg Maglia bianca (liderança jovem)

Em edições antigas foram utilizadas:

  • Jersey black.svg Maglia nera, (reservado ao último colocado da classificação geral)
  • Jersey blue.svg Maglia azzurra (intergiro, gran combinata)

EstatísticasEditar

Mais vitórias gerais Editar

Ciclista Vitórias Anos
20px-Flag of Italy.svg Alfredo Binda 5 1925, 1927, 1928, 1929, 1933
20px-Flag of Italy.svg Fausto Coppi 5 1940, 1947, 1949, 1952, 1953
20px-Flag of Belgium (civil).svg Eddy Merckx 5 1968, 1970, 1972, 1973, 1974

Mais vitórias de etapas Editar

Nome País Vitórias
1 Mario Cipollini 20px-Flag of Italy.svg 42
2 Alfredo Binda 20px-Flag of Italy.svg 41
3 Learco Guerra 20px-Flag of Italy.svg 31
4 Costante Girardengo 20px-Flag of Italy.svg 30
5 Eddy Merckx 20px-Flag of Belgium (civil).svg 25
6 Giuseppe Saronni 20px-Flag of Italy.svg 24
7 Francesco Moser 20px-Flag of Italy.svg 23
8 Fausto Coppi 20px-Flag of Italy.svg 22
8 Roger De Vlaeminck 20px-Flag of Belgium (civil).svg 22
10 Franco Bitossi 20px-Flag of Italy.svg 21
11 Giuseppe Olmo 20px-Flag of Italy.svg 20
11 Alessandro Petacchi 20px-Flag of Italy.svg 20
11 Miguel Poblet 20px-Flag of Spain.svg 20

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